GUARUJÁ - História

Prof. Silvio Araujo de Sousa - E.E. Prof. Renê Rodrigues de Moraes


  História dos negros em Guarujá

Da Reportagem de A Tribuna 31 de agosto de 2004

A história dos negros em Guarujá remonta fatos de dolorosa lembrança. Balneário de classe média alta, a Praia do Tombo foi palco de atrocidades contra os africanos. Nas pedras do Tombo, os negros eram castigados. Em uma das extremidades era amarrado o pescoço do escravo e, na outra, pedras. Em seguida, os revoltosos eram atirados ao mar.
  Na Praia do Perequê e no Canal de Bertioga, levas de africanos foram desembarcadas, mesmo depois da sanção da Lei Eusébio de Queiroz, em 1824, que proibia a remessa de novos escravos ao Brasil. Os desembarques aconteciam na propriedade do fazendeiro Valêncio Leomil, que se estendia desde o Perequê até o canal.
  Segundo historiadores, o local do desembarque variava de acordo com a vigilância na costa. A fazenda também servia como base para cristianização dos africanos que, dessa forma, perdiam sua identidade cultural e religiosa.
75 milhões
  Dos 75 milhões de pesoas retiradas da África entre os séculos 15 e 19, 3,5 milhões chegaram vivas ao Brasil, vindas principalmente de tribos que deram origem a nações como Angola, Moçambique e Sudão. No País, só puderam estudar a partir do Século 20, quando o decreto de dom Pedro II, que proibia a presença dos negros nas escolas por serem ‘‘portadores de doenças’’ foi revogado.
  Levantamento feito no Século 19 apontou que nove línguas eram faladas pelos negros trazidos ao Brasil. Aqui, a elite africana foi escravizada e sua cultura marginalizada, tanto que, até o início do século 20, quem fosse visto sambando ou jogando capoeira era preso por vadiagem.
  Diferente de outros imigrantes que formaram colônias no Brasil, os africanos eram separados de suas famílias e misturados em uma senzala, independente de sua língua e origem, o que provocou uma desunião que favoreceu a exploração por parte dos colonizadores europeus durante séculos.

Entidade vai difundir cultura africana entre professores

Da Sucursal


A diversidade cultural que deu origem ao povo brasileiro começa a ser discutida hoje pelos professores da rede municipal de ensino de Guarujá. O trabalho conta com o apoio do Núcleo de Consciência Negra Luiz Gama (LUG), de Vicente de Carvalho. A idéia é vencer o preconceito e transmitir aos educadores aspectos pouco conhecidos das culturas banto, yorubá e malê (negros de origem árabe), mostrando a contribuição desses povos para construção da identidade nacional.
  A aula, com duração de duas horas, aproximadamente, começa às 16h30, no Centro de Capacitação Professor Carmine Felippelli, que fica na Rua Maranhão, s/nº, esquina com a Rua Ceará, na Vila Alice, em Vicente de Carvalho. Inicialmente, 25 professores de diversas disciplinas do Ensino Fundamental foram convocados. Porém, é livre o acesso aos demais educadores interessados.
  A expectativa é que até o final do ano, pelo menos 100 professores sejam capacitados, com a realização de outros três encontros como o de hoje. A inclusão da cultura africana na grade curricular das escolas de Ensino Fundamental e Médio está prevista na Lei federal 10.630, sancionada pelo presidente Luiz Ignácio Lula da Silva, em 9 de janeiro de 2003.
  Apesar de a lei estar em vigor há 21 meses, Guarujá deverá ser a primeira cidade da Baixada Santista a capacitar seus professores para a disseminação de aspectos culturais, religiosos e tradições político-administrativas dos povos africanos que foram trazidos ao País durante o período do Brasil Colônia.
  O projeto de capacitação foi elaborado pelo historiador Marcos José Fernandes Alexandre. ‘‘A idéia é trabalhar o legado da cultura afro no mundo antigo e abordar o surgimento do crioulo, que é o negro escravo nascido no Brasil’’, salienta o historiador.
  A prioridade é capacitar professores de Geografia e História, mas os conhecimentos acumulados pelos integrantes do LUG também serão repassados a educadores de Educação Artítica e Língua Portuguesa. ‘‘Dá para fazer um trabalho interdisciplinar’’, adianta a coordenador da área de humanas do centro de capacitação da rede municipal, Andréia Lílian da Silva Cruz.
  ‘‘A imagem que as pessoas têm é que o negro foi escravo e faz macumba. Nossa proposta é mostrar que ele influiu na cultura brasileira’’, resume o diretor cultural do LUG, Edson Augusto Sampaio. ‘‘Temos uma responsabilidade com o crescimento do País. Queremos propor uma mudança de mentalidade’’, explica o presidente do LUG, Anderson Bernardes.


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