Rodovia Piaçaguera - Guarujá - atual Don Domênico Rangoni - SP 55

Prof. Silvio Araujo de Sousa - E.E. Prof. Renê Rodrigues de Moraes


 
História de sua Construção - uma estrada flutuante

Fonte: o Empreiteiro - Revista de Minérios e Minerales edição 481

Rodovia Piaçaguera-Guarujá, atual Don Domênico Rangoni - construida sobre área de manguezal, considerada a primeira estrada flutuante do país

Vencendo o mangue Construída sobre o mangue, a Piaçagüera – Guarujá foi inaugurada em meados de 1970 e é considerada a primeira estrada flutuante do País. Sua construção foi iniciada em 1961. Diante das extremas dificuldades impostas pelo terreno (dificuldade de acesso e falta de suporte so solo), a empreiteira vencedora da concorrência pública acabou desistindo do contrato, depois de 200 dias de trabalho.

Em 1964, a empreiteira que assumiu e conduziu a obra até o seu final foi a CIT – Pavimentação e Terraplenagem. As pontes ficaram a cargo da Ribeiro Franco (sobre o Canal de Bertioga e o rio Santo Amaro), da Souza Barker (rios das Onças, Quilombo e Jurubatuba) e Codrasa (rio Diana).

Além das dificuldades decorrentes do terreno pantanoso, outro problema enfrentado foram as chuvas constantes da região, que apresentava um dos maiores índices pluviométricos do País (cerca de 5 mil mm3/ano). As chuvas se faziam presentes em 250 dias durante o ano e, quando eram excessivamente fortes, impediam o trabalho de terraplenagem. Muitas vezes, as máquinas tinham de ser deslocadas do seu trabalho para socorrer as que estavam atoladas no lamaçal.

Para a implantação da estrada, foi utilizada a abertura de um canal com 32 m de largura por 4 m de profundidade que foi preenchido com areia. Com densidade semelhante à do solo da região, a areia possibilitou o ponto de equilíbrio necessário, funcionando como uma “grande balsa”, que flutua no mangue e sustenta o aterro da estrada.

Em alguns trechos, o mangue tinha até 40 m de profundidade, composto de matéria orgânica inconsistente e sem capacidade de suporte. Nos pontos em que o terreno era um pouco mais resistente, foi adotado o sistema de bermas: lançava-se diretamente sobre o solo natural um aterro argiloso prévio com largura suficiente para a distribuição das cargas e para evitar que o terreno cedesse ante o próprio peso do aterro (com aproximadamente 1,50 m de altura).

Com tantas dificuldades técnicas para sua conclusão, a Piaçagüera – Guarujá foi alvo de muitas críticas, em especial no que diz respeito ao seu alto custo. A preços de fevereiro de 1970, o custo do quilômetro pronto da rodovia foi estimado em aproximadamente 1 milhão de cruzeiros novos. Já os defensores do empreendimento argumentavam que o mangue tinha de ser vencido a qualquer custo e que essa realização representava uma experiência muito valiosa para a evolução da engenharia nacional.

A estrada, entretanto, era cercada de muitas expectativas com base na sua importância econômica e estratégia, uma vez que seria a primeira ligação rodoviária entre o continente e a Ilha de Santo Amaro e permitiria o aproveitamento do cais de Conceiçãozinha. Além disso, sua extensão até São Sebastião possibilitaria o acesso rápido ao terminal marítimo da Petrobras e à Base Aérea de Santos. ::


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