GUARUJÁ - Sítio Conceiçãozinha

Prof. Silvio Araujo de Sousa - E.E. Prof. Renê Rodrigues de Moraes


 
História econômica começou com transporte de banana

Da Reportagem de A Tribuna 14 de julho de 2002

Sitio Conceiçãozinha - 2010 - A esquerda o Estuário do Porto de Santos, a direita o rio Santo Amaro e área de vegetação nativa (manguezal)

A Escola Estadual Luís Beneditino, situada na Rua Santo Amaro, guarda parte da memória da comunidade. Segundo pesquisas dos professores desenvolvida com os alunos do Ensino Fundamental, a economia do Sítio, no passado, foi fundamental para o antigo Itapema, devido ao transporte de bananas, que ‘‘partiam das várzeas da ilha, passavam pelas gamboas (braços de mar), do Sítio Conceiçãozinha, nos trapiches de embarques existentes no bairro, em 1902’’.

Conforme se apurou, os habitantes eram caiçaras, ‘‘mestiços de escravos e portugueses com índios que viviam nas beiradas dos manguezais e das várzeas de onde tiravam seu sustento, caçavam e viviam da pesca e do cultivo da banana’’. Ainda segundo o pesquisa dos professores, o nome Sítio Conceiçãozinha fora dado pelas jeusuítas. Até os anos 60, as pessoas visitavam a Capela da Virgem Aparecida, semidestruída, nas margens do Rio Santo Amaro.

Na década de 30, o Sítio quase se transformou no primeiro aeroporto da Baixada, com o lançamento da pedra fundamental da Base Aérea. Conta-se que nessa época, além da pesca, o artesanato se constituía em outra fonte de renda das famílias, com a confecção de balaios e cestos, alem de chapéus tipo sombreiro, tudo vendido nas embarcações e navios e, mais recentemente, nas praias. Conforme a pesquisa dos estudantes, o material para confecção dos materiais era tirado das matas nativas.

O sítio era coberto de árvores frutíferas, como jenipapo (que serve para fazer vinhos e licores), cajás, mangas, caquizeiros, jaqueiras e goiabeiras, entre outras. Na década de 60, o Sítio começou a sofrer ataques especulativos de empresários. Era criada a Geloflocos, empresa construída às margens do Estuário, trazendo uma ocupação desordenada. Em seguida, vieram a Dow Química, Iate Club, Cutrale, Cargill, Tecon.

Cemitério

Para Nílton Rafael, da Unipesc, há indícios de ocupação na área em 1898. Segundo afirma, o cemitério indígena, para muitos uma lenda, teria existido na área hoje ocupada pela Dow Química. Conforme o integrante da Unipesc, os laços cristãos com a comunidade se fortaleceram com a construção da Capela Nossa Senhora Aparecida de Conceiçãozinha, nos anos 70. Mas a primeira missa foi rezada ao ar livre, ao abrigo de um pé de jambolão, anos antes, árvore que tempos depois caiu, originando o nome ‘‘missa do pau deitado’’.

Hoje, com o apoio da Sociedade Melhoramentos do Sítio Conceiçãozinha (Somecon), e da E.E. Luís Beneditino, a comunidade desenvolve ações de conscientização ambiental. É uma tentativa de impedir o que aconteceu com o Rio da Pouca Saúde, que corta o núcleo. Assoreado e cercado de palafitas, esse braço de mar ainda respira graças ao trabalho de mutirões de limpeza constantes no núcleo.

Conceiçãozinha corre risco de desaparecer - parte II

Da Reportagem de A tribuna 14 de julho de 2002

Júlio Cesar D’Iesposti

Cercado por terminais de carga e descarga de empresas como Cargill, Cutrale e Dow Química, o Sitio Conceiçãozinha, em Vicente de Carvalho, resiste às transformações ocorridas nas margens esquerdas do Estuário, onde este surgiu, há mais de um século. Pesquisadores encontraram em sua área vestígios do trabalho desenvolvido pelos jesuítas no Século XIX, e também fala-se na existência de um cemitério indígena, nas margens do Estuário. Porém, todo esse conhecimento corre o risco de desaparecer, com a expansão do porto.

Nos últimos 40 anos, a antiga vila de pescadores foi sendo espremida cada vez mais em sua área, que é de domínio da União. Mas a riqueza trazida pelas operações de cargas de navios, na região da maré, nesse cenário global, acabaram não beneficiando a comunidade, que habita em casas de alvenaria e barracos desde 1902. Hoje, espremida entre os complexos industriais que poluem o Estuário, ainda vive da pesca.

Segundo o que se observa, a comunidade do Sítio sofreu, ao longo das últimas décadas, várias ameaças de despejo, como um vizinho indesejável. Conforme a administradora da creche Tia Nice, Cristiane Santos, até hoje nenhum morador das cerca de 2.800 famílias que habitam a área tem título de propriedade e vive a incerteza sobre o amanhã.

Com a expansão do Porto de Guarujá, a ameaça de despejo volta a rondar os moradores. Um projeto, especialmente, preocupa. É o do Distrito Industrial Alfandegado, que seria implantado pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), de Santos.

É que uma área de 200 mil metros quadrados, entre a Cutrale e a Cargill, onde está o núcleo, é uma das que estão disponíveis para esse fim, segundo a Codesp, que negocia a implantação do distrito com o Ciesp. Mas lideranças do Sítio Conceiçãozinha afirmam que só aceitariam deixar o local se fossem remanejadas para outro, com infra-estrutura.

Invasões

A degradação ambiental é outro fator que ameaça a subsistência dos antigos caiçaras. É que em 98 e 2000, ocorreram invasões na área, e o antigo Sítio adquiriu contornos de um bairro típico de periferia, com aumento da violência, e agravamento das questões de saneamento ambiental e degradação dos ecossistemas dos manguezais.

Desenvolvida em função da pesca e da plantação e escoamento da produção de bananas, no começo do século, a área do antigo Sítio é formada por um quadrilátero, a partir da região da ‘‘maré’’ (área situada na margem do Estuário), com acesso pela Rua Santo Antônio, incluindo as ruas São Paulo, Santo Amaro e Nova Esperança, e parte do Estradão.

Plantações

Conforme um dos moradores, Ilson José Vaz, estivador, que chegou há cerca de 40 anos, há uma forte identidade cultural com o núcleo. Seu sogro já habitava uma casa na Rua Santo Antônio, no terreno onde mora hoje com a família. ‘‘Naquela época as famílas tiravam o sustento da pesca, venda de caranguejos e plantação de bananas. Mas havia, também, muitos pés de frutas’’, conta ele, sobre o passado.

Os fundos da casa dá para o Estuário, onde as construções dos pescadores nas margens do canal constrastam com as gigantescas estruturas de aço e concreto que servem de atradouros para os navios nos terminais de carga e descarga, despejando toneladas de produtos nos terminais. Mesmo assim, o Sítio mantém um certo ar de interior, nos arredores das antigas ruas cercadas de verde, e casas antigas.


Vila Áurea
O bairro da vila Aurea localizado as margens da rodovia Don Domênico Rangoni, tem esse nome devido ao fato de que essas terras terem pertencido a Senhora Áurea Gonzalez Conde, cidadã nascida na Espanha, em 1889, vindo a falecer em 25 de junho de 1966. Toda a área era dedicada ao cultivo de banana, com a crise no comércio de bananas parte da área foi loteada e vendida dando origem ao bairro. Na margem da rodovia Don Domênico Rangoni e oposta ao porto ainda existem remanescentes dos bananais.

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