Cem Anos de Travessia Santos-Guarujá

 


Travessia de veículos entre Santos e Guarujá - Pier de Santos

Há mais de um século, atravessa-se o estuário rumo ao Guarujá por meio de balsas a vapor ou a diesel, um sistema que já esta saturado.

No final do século 19, os passageiros vindo de trens de São Paulo, com destino a Estância balneária do Guarujá embarcavam em lanchas a vapor, no Valongo, onde funcionava a antiga estação ferroviária.

Era uma viagem cansativa. A lancha a vapor percorria todo o canal do estuário, os passageiros desembarcavam no antigo Itapema, onde seguiam de trem até a praia no Guarujá. Portanto havia interesse en reduzir este caminho.

A mudança acabou acontecendo o que aliviou o tempo de viagem. Por volta de 1910, as barcas a vapor construidas na Holanda começaram a partir da Praça da República, no centro da cidade, em direção ao Itapema ( hoje Vicente de Carvalho ), de onde as pessoas seguiam para o Guarujá.
Foi assim que surgiu o embarque na Praça da República, que existe até hoje.  Com pouquíssimos carros em circulação, as barcas viajavam repletas de passageiros num sistema operado pela iniciativa privada.

Ferry Boat

Com a construção da ferrovia Itapema-Guarujá, surgiram ramais , como o ramal em direção a Vila Zilda, seguindo para as terras de José Bonifácio de Andrada e Silva e outro ramal por onde hoje é a avenida Adhemar de Barros. Quando este ramal foi abandonado, seu leito foi aproveitado para construção da estrada, é quando então começa a funcionar em condições precárias o Ferry Boat, em 19 de janeiro de 1918.

A primeira FB1 surge por volta de 1930. A FB1, foi a primeira embarcação de porte a atravessar os 400 metros do estuário que separam a Ponta da Praia até a Vila Ligia. Feita de madeira, com espaço para seis a oito carros, transportava agrande massa de pessoas que ainda utilizavam predominantemente o trem.

O desenvolvimento de Santos e da Estância de Guarujá aconteciam rapidamente.Pouco tempo depois surgiram mais três embarcações, as Fb2, 3 e 4, sendo as duas primeiras para sete carros e a terceira para 16 .
Em seguida vieram as embarcações 5, 6, 7 e 8, feitas de aço, com sucatas de guerra, cada uma para 20 veículos.

Em 1946, o estado assumiu o comando da travessia. Um ano depois ficava pronta a pista norte da Anchieta, e Guarujá era elevado a categoria de municipio.

A estrada diminuiu a distancia enter Santos e a Capital e o desenvolvimento da indústria automobilística provocou um boom de carros na cidade. Guarujá projetou-se para o Estado e começou atrair um público cada vez maior.

Por volta de 1962, chegaram as FB9, 10 e 11, maiores e com novos sistemas de propulsão. Na época, os bairros de Guarujá expandiam-se rapidamente e a travessia de passageiros tornou-se intensa, começando a surgir os conflitos entre carros e pedestres.

em 1971, a Capitania dos Portos proibiu o transporte de pedestres nas balsas, mas a utilização indevida continuou até 1973, quando uma lancha exclusiva para passageiros, a Itapema, passou a operar gratuitamente entre a Ponta da Praia e Guarujá.
Na década de 80, o sistema era operado pelo Departamento Hidroviário, orgão ligado a Secretaria de Estado dos Transportes. No inicio de 90, o sistema é transferido para o controle da Dersa, que em 1996 tercerizou os serviços.

Cem anos depois , entre ida e volta,  são transportados diariamente, 22 mil carros, cerca de 10 mil bicicletas e três mil motos, com um  sistema que conta com oito embarcações, com capacidade média para 45 veículos, três embarcações mistas, para carros, passageiros e bicicletas , além de três embarcações para passageiros e ciclistas que operam na travessia enter santos e Vicente de Carvalho.

Alckmin entrega balsa e anuncia compra de outra
( A Tribuna - Domingo, 19 de Dezembro de 2004, 07:26 )

O governador Geraldo Alckmin esteve ontem na Cidade para entregar a nova balsa (BF-23) do sistema de travessia entre Santos e Guarujá e também anunciou a compra de mais uma, no ano que vem. Alckmin também participou da reinauguração do Terminal de Passageiros de Vicente de Carvalho, que passou por uma reforma.

Alckmin anunciou a entrega, no próximo ano, de mais uma balsa para fazer a travessia Santos—Guarujá. ‘‘O último ferry-boat adquirido pela Dersa foi em 1979. Faz 25 anos que não tínhamos uma balsa nova, aqui’’.
  O governador ressaltou a capacidade do equipamento, que pode transportar até 60 automóveis. ‘‘Essa é a maior travessia do mundo em termos de número de veículos, com segurança, e vamos, no ano que vem, ter um outro ferry—boat. Teremos, então, nove (balsas) aqui’’.
  Além do ferry—boat, adquirido por R$ 4,97 milhões, o Estado readequou duas embarcações, totalizando mais 21 vagas. ‘‘Teremos mais conforto e segurança, melhorando a travessia entre Santos e Guarujá’’, afirmou Alckmin.
Saturação
  O secretário de Estado dos Transportes admitiu que a entrega da balsa e das embarcações não soluciona o problema da travessia entre as duas cidades, cujo sistema há muito tempo encontra-se saturado.
  Para Lopes, o Estado tem de pensar, nos próximos anos, outras medidas, como a construção de um túnel entre Santos e Guarujá.
  ‘‘Para que as pessoas tenham uma idéia, nós estamos aumentando a capacidade do sistema de 1.700 para 2.600 veículos/hora, no que diz respeito à travessia de veículos. É praticamente 50% a mais’’, explicou o secretário.
  De acordo com o responsável pela pasta de Transportes, o sistema terá ganhos de capacidade nos próximos anos porque a secretaria planeja renovar a frota da travessia, que apresenta a maior demanda do mundo, colocando somente balsas como a entregue ontem.
  ‘‘Mais do que a capacidade, ele (ferry—boat) tem um conceito de projeto diferente. A motorização dele é diferente. Como é uma travessia que tem muito movimento, mas ela é curta, gasta-se mais tempo fazendo manobra do que fazendo a travessia. Com esse ferry, você ganha não só em capacidade, mas em tempo, também’’.
Túnel
  O projeto da Secretaria de Transportes, segundo Lopes, é colocar cinco novos ferry—boats. ‘‘Com isso, nós teríamos aí, de oito a dez anos, o problema de capacidade resolvido. Isso, somando-se à reforma dos bolsões que iremos fazer e que vão ficar prontos para a próxima temporada, a modernização das outras balsas e assim por diante’’.
  Contudo, conforme o secretário, ‘‘é importante salientar que, em um horizonte de dez anos, haverá gargalos que precisarão de uma solução física’’. Para ele há necessidade de se fazer a travessia a seco.
  ‘‘Por isso que o Estado insiste tanto na construção de um túnel. Hoje, nós temos bastante tempo para pensar, porque as medidas que estamos tomando, não só do ponto de vista operacional, como de modernização da frota, estão dando uma sobrevida para o sistema relativamente grande’’.
  ‘‘Mas se ficarmos cinco anos discutindo o túnel, nós vamos chegar a um problema sério’’, alertou, lembrando o trânsito de navios na entrada do estuário, o que também atrapalha a travessia das balsas. .


fonte: A Tribuna/Santos/5 de julho de 2002
A Voz do Litoral ed 115 - 31 de março de 2005 pág 12
Organização: Professor Silvio Araujo de Sousa - Escola estadual Prof. Renê Rodrigues de Moraes - Guarujá