Degradação ambiental já afeta manguezais
Ecossistema mais afetado da Baixada Santista fica no Rio Santo Amaro (Guarujá ) e ...

O s mangues da Baixada Santista estão sofrendo as consequências da degradação ambiental. Isso é o que demonstra a pesquisa científica da Universidade Católica de Santos ( Unisantos ) Estrutura dos Manguezais da Baixada , desenvolvido no período de agosto de 1999 a janeiro deste ano (2001). A poluição e a devastação de áreas naturais são apontadas como as principais causas do fenômeno, segundo as professoras de Botânica Amélia Cristina Elias da Ponte e Sílvia Maria Castex Aly Claro, responsáveis pelo projeto.
"Como estudávamos os mangues desde 1980, através de coleta de amostras, os dados do antigo estudo puderam ser comparados com a pesquisa atual, comprovando que certas áreas já sentem o impacto do progresso e apresentam aumento do grau de degradação", afirma Amélia Ponte.
O projeto Estrutura dos Mangues da Baixada foi desenvolvido através de pesquisas científicas, apurando-se inclusive a densidade dos bosques e altura das árvores.
"E as medições apontam redução da densidade das árvores, arbustos, e plântulas (mudas) em vários pontos de mangues  na região", alerta Amélia Ponte.
A professora explica que isso é reflexo da poluição - através de derramamento de petróleo, oléo, esgoto e lixo - e do desmatamento provocado por aterros, construções e retirada de madeira para a construção de palafitas.
"As plântulas - mudas de até um metro de altura - são muito sensíveis e sua mortalidade natural é de 90% nos mangues. Tomando uma amostra de cem plântulas em uma área de um metro quadrado, observa-se que, durante dois meses, apenas dez sobrevivem. Isso em condições normais, sem interferência de poluentes", exemplifica.
 
COLETA DAS AMOSTRAS
As coletas foram realizadas em sete pontos, abrangendo mangues afetados e livres de degradação, propiciando o cruzamento de dados. São eles: 2 pontos em São Vicente ( Canal dos Barreiros e Rio Branco ), um em Cubatão ( Rio Maria Ribeira ), 2 em Guarujá ( rios da Missa e Santo Amaro) e 2 em Bertioga ( rios Itapanhaú e Itaguaré )
"Os manguezais menos degradados da Baixada Santista são os de Bertioga, com destaque para os do Rio Itaguaré", ressalta Sílvia Claro, explicando que o pior deles é o existente ao longo do Rio Santo Amaro.
"A população ribeirinha vem crescendo nos últimos anos no Santo Amaro e, com isso, aumenta também o descarte de lixo no mangue".
A pesquisa detectou ainda que, no Rio da Missa, o número de palafitas também cresceu, não só para moradias. "Já existe até um bar no local", comenta Sílvia Claro, afirmando que a falta de conscientização funciona como fator agravante. "Onde há pescadores, há sentimento, porque eles sabem que degradação é sinônimo de escassez de peixe e de caranguejo".
Silvia Claro explica que o uso das árvores de mangue na construção de palafitas pode ser justificado pela presença da substância tanino produzida pela própria planta e que protege a madeira contra ataque de insetos, deixando-a resistente. "Essa substância deixa a planta com gosto ruim".
APARÊNCIAS - Amélia Ponte diz que, "às vezes as aparências enganam", e para exemplificar cita o caso do Canal dos Barreiros. "Quem passa de barco pelo canal fica encantado pela beleza , mas quem atravessa 20 metros de mata só encontra destruição". Apesar do impacto de aterros, aprofessora afirma que o mangue do Rio Branco ainda apresenta certo estado de preservação.
"Com excessão de Itaguaré, a pesquisa aponta que todos os mangues da Baixada Santista foram afetados, de uma forma ou de outra, por derramamento de petróleo, invasão de área, aterros ou lixo".
Em outros pontos, como no Rio Santo Amaro e no Canal de Brtioga, o terreno mole afeta a densidade dos bosques.  "As árvores não suportam as ondas provocadas por embarcações e caem".
 
MACRO ALGAS SÃO ALVO DE OUTRO ESTUDO

O trabalho científico desenvolvido pela Unisantos envolve ainda o projeto Levantamento das Macroalgas Netônicas dos Manguezais da Baixada Santista, iniciado também em agosto de 1999, nos mesmos pontos de coleta do estudo Estrutura dos Manguezais da Baixada, mas que ainda esta em desenvolvimento.
Segundo a professora de Botânica Sílvia Maria Castex Aly Claro, as pesquisas com algas são feitas em três espécies de árvores: a Avicennia schaueriana, Laguncularia racemosa e Rizophora mangle. "As duas primeiras tem raízes aéres, chamadas pneumatóforos, onde vivem as algas. E a última conta com escoras, ou seja , estruturas de sustentação que não são raízes".
Os resultados desta pesquisa ainda estão sendo analisados. Todo o trabalho de coleta, sob orientação das professoras Amélia Ponte e Sílvia Claro, é realizado pelos alunos Flávio Gonçalves Marques , Fabricício Vieira Rodrigues, Márcio Vieira Lins, Renato Kilo Tamazato e Aniela Manso.

ECOSSISTEMA - A importância ecológica dos manguezais vem sendo gradativamente  reconhecida. Segundo Amélia Pontes , unúmeros estudos têm sido realizados sobre o manejo e a exploração racional dos mangues, uma vez que, o manguezal é considerado um ecossistema altamente produtivo e que abriga, por meio de sua estrutura peculiar, larvas e formas jovens de peixes, crustáceos e moluscos.
"Além disso, a formação vegetal do manguezal é responsável pela proteção da costa contra a erosão produzida pelas correntes, marés, drenagens de terrenos e inundações",explica.
Pode-se dizer que os manguezais reprezentam um dos maiores ecossistemas da biosfera. Sua distribuição, de modo geral, esta restrita aos trópicos.
Há estimativas de que 60% a 75% das costas tropicais são recobertas por mangues. No Brasil é ampla a extensão ocupadas por manguezais e eles se estendem por quase toda a orla marítima, praticamente de forma contínua.
Bibliografia:
Jornal A Tribuna de Santos , 13 de maio de 2001- Ciência - Giselda Braz - Editora



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